CAMPANHA DE SENSIBILIZAÇÃO PORTA-A PORTA NA CIDADE DE NAMPULA.
Ainda no mesmo âmbito e em representação ao Consórcio Contra Violência Sexual, a OPHENTA realizou na Cidade de Nampula, nos Postos Administrativos de Muatala, Namicopo e Muhala a campanha de sensibilização porta-a-porta, nos dias 6, 7 e 12 de Julho corrente.
Durante a intervenção comunitária onde foram alcançadas 239 pessoas, dos quais 116 raparigas, 77 rapazes, 24 mulheres e 2 homens. Desse numero, um deles é deficiente.
Os temas abordados durante a sensibilização foram: Violência Baseada no Genero, Lei 19/2019 – Lei de Combate as Uniões Prematuras, Direitos Humanos das Mulheres e Portas de Entrada em casos de sofrer violência.
Durante a sencibilização em uma das casas, um casal de idosos denunciou uma situação que a neta tem passado.
_”Ela era casada com um jovem e vivíam em casa dele. Tiveram uma filha juntos, um dia eles discutiram e ela saiu de casa, dai o marido disse como ela quis sair de casa, ele não iria lhe ajudar com nada. Até agora não sustenta a filha, não visita e nem faz nada”._ Disse o casal.
Ainda no mesmo bairro, uma professora que por curiosidade perguntou qual era o projecto e o foco, também deixou ficar o seu depoimento.
_”Eu tenho 3 filhos: duas meninas e um rapaz. As meninas têm 19 e 22 anos e o rapaz tem 25 anos. A de 22 e o de 25 me expulsaram de casa, me chamam de feiticeira, eu ja parei no hospital por causa deles minha tensão subiu, minha filha mais nova uma vez tentou suicídio tomou muitos comprimidos para se matar mas levamos ao hospital a tempo e ela sobreviveu. Quando perguntamos o motivo ela disse que não aguenta com o comportamento dos irmãos, o tanto eles me fazem sofrer. Uma noite minha filha mais nova entrou no meu quarto e disse que estava com febres e eu como estava com tanto sono, só acordei levei comprimidos dei para ela tomar e voltei a dormir. Ela não gosta do irmão mais velho. Certo dia fizemos uma reunião familiar e chamamos eles os dois para explicarem o porque daquilo e minha filha mais nova chorando disse: ‘Mamã lembra daquela noite que fui no teu quarto e disse que estava doente? Eu estava fugir desse teu filho ele queria dormir comigo, esse já me disse que quer dormir comigo, meu próprio irmão.’ Eu também comecei a chorar com minha filha. Depois daquilo ela pediu para casar e sair de casa não demorou e trouxe um homem para lhe casar. Hoje eu vivo numa casa emprestada, minha filha de 22 anos me arancou telefone dizendo que foi o pai que comprou para mim, a de 19 anos casou e esse outro continua aí os 2 vivem na mesma casa.”_
Depoimento de uma mulher dos seus 38 anos.
Importa realçar que no passado dia 4 de Julho a OPHENTA manifestou publicamente de forma pacífica, na Cidade de Nampula, contra um militar que violava de forma cíclica a sua esposa de 22 anos, deslocada de Cabo Delgado. Durante a manifestação pública, foi feita uma denúncia popular do caso na Academia Militar, local onde o agressor trabalha e na Primeira Esquadra da Cidade, tendo culminado com o regresso da sobrevivente a sua terra natal, a pedido da mesma, local onde se encontra com seus pais, enquanto aguarda os tramites legais do processo.


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